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Deus não rejeita a quem o invoca


No Salmo 50.15 lemos a maravilhosa promessa de Deus: "...invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei, e tu me glorificarás."

Em uma fábrica de tecidos, onde funcionavam teares muito complicados, havia uma placa que dizia: "Se os fios se emaranharem, chame o supervisor". Recentemente aconteceu o seguinte: os fios do tear de uma operária muito dedicada e hábil se enrolaram. Imediatamente ela tentou desenredá-los, mas seus esforços somente tornavam maior a confusão. Finalmente, cansada e mal humorada, ela pediu ajuda ao supervisor.

"Você mesma já tentou separar os fios?", perguntou ele. – "Sim". – "Por que você não me chamou, conforme a norma?" – "Fiz o melhor que pude", respondeu ela. – "Lembre-se, ‘o melhor' em tal caso é me chamar!"

Quantas pessoas neste mundo se assemelham a essa mulher! Elas são honestas, corajosas e trabalhadoras. Elas enfrentam a vida com determinação. Gostaríamos de resolver tudo sozinhos, dar conta dos problemas, pois não nos agrada pedir ajuda aos outros. Esforçamo-nos para encontrar a própria solução. Mas, todos os esforços são em vão. No final, ficamos totalmente desanimados.

Muitas vezes, as circunstâncias acabam se tornando tão difíceis que não conseguimos mais nos desvencilhar sozinhos dos problemas. Quantas vezes um médico já teve de dizer a um paciente: "Mas, porque você não veio antes?"

Quando alguém se encontra em tal situação, a única solução é ir ao Senhor Jesus e invocá-lO. Ele é a resposta a todos os nossos problemas e às muitas confusões provocadas pelo pecado. Sem Ele não podemos fazer nada – nem para nós mesmos, nem para outros. Jesus Cristo diz: "...o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora" (Jo 6.37). (Norbert Lieth - http://www.apaz.com.br)

Alan Dias 05/01/2017
Como encontrar uma boa igreja?


Pergunta: Parece que, em nossa região, não conseguimos encontrar uma igreja que tenha uma liderança piedosa e uma pregação bíblica. Sentimo-nos sozinhos e agora só lemos a Bíblia e oramos em casa. O que devemos fazer? E como encontraremos uma “boa” igreja?

Resposta: Este é um comentário triste sobre o estado das igrejas e recebemos muitos desses questionamentos. O que caracteriza uma igreja “saudável”? Crucial para a resposta é Mateus 18.20: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. O próprio Cristo deve ser o enfoque central – não um pastor, sermões fascinantes, ou mesmo uma forte ênfase missionária, programas interessantes para jovens, boa comunhão entre os membros, ou até doutrinas saudáveis, embora todos estes fatores sejam muito importantes. Um amor fervoroso por Cristo, juntamente com louvor e adoração à Pessoa de Jesus, pelo grupo todo, vindo do fundo do coração, deve ser a principal marca de uma igreja saudável.

A igreja primitiva era assim. Ela se reunia regularmente no primeiro dia da semana em lembrança da morte do Senhor. Aquela efusão semanal de adoração, louvor e ação de graças tinha um propósito – dar a Deus Seu reconhecimento devido. Não é principalmente uma questão das minhas necessidades, minha edificação, meu prazer ou minha satisfação espiritual, mas do valor dEle aos meus olhos e aos olhos da igreja.

Em minha opinião, nosso enfoque secundário deveria ser nossa oportunidade para servir com um grupo de crentes. Dou de mim mesmo a um povo necessitado, imperfeito, por quem posso orar, com cujas necessidades posso me preocupar de maneira prática, a quem posso estimular e ministrar a Palavra, e em meio a quem posso demonstrar e realizar o desejo de Cristo de que os Seus “sejam um”. Esta comunhão é uma ordem: “Não deixemos de congregar-nos” (Hebreus 10.25). É nosso prazer nos reunirmos com o povo de Deus em orações de intercessão e estudo da Palavra, ou somente a manhã dos domingos já é suficiente? Uma igreja saudável não irá se reunir somente com Ele, mas também uns com os outros.

Por fim, preciso avaliar minhas próprias necessidades espirituais. Os pastores devem providenciar alimento espiritual que irá nutrir o rebanho, para que possa “ser perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3.17). Esta é uma grande ordem e requer, logicamente, um rebanho disposto a aprender, que ame a Palavra e que aceite sujeitar-se a ela. Os pastores também devem guardar o rebanho de Deus, mantendo-o livre de doutrinas falsas e perigosas, contrárias à verdade. Eles devem se apegar à pura Palavra de Deus como a única autoridade de fé e padrões morais.

Então, talvez você diga: “Maravilhoso! Conduza-me a uma igreja como essa”. Lembre-se, entretanto, da ordem por prioridades: adorar (você adora sinceramente, de todo o coração, de maneira que satisfaça o objeto do seu louvor?); servir (você serve, da forma como Jesus mesmo nos deu exemplo, com humildade e alegria?); necessidades pessoais (você está crescendo, amadurecendo, assumindo o caráter de Cristo?).

A decisão final quanto à filiação a uma igreja deve ser sua, em oração. Seu louvor pessoal ao Senhor é algo tão cheio de alegria e satisfação, tanto para você quanto para Ele, de forma que supere outras considerações? Suas oportunidades de servir aos irmãos e irmãs são suficientemente significativas? Ou as preocupações com a doutrina e a falta de pregação e ensinamento bíblicos cancelam as duas questões anteriores? Você deve buscar o Senhor para ouvir a resposta dEle. A segurança reconfortante do Senhor, entretanto, permanece: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus 18.20). (T. A. McMahon – TBC)

Alan Dias
Você não está abandonado!

“Qual de vocês que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma, não deixa as noventa e nove no campo e vai atrás da ovelha perdida, até encontrá-la?” (Lucas 15.4). 

Com quanta fidelidade o amor de Deus lhe acompanhou em cada passo de sua jornada! Quantas vezes você pôde sentir o afeto de seu Salvador! Mesmo assim, certamente aconteceram diversas falhas das quais você nem gosta de lembrar. Como é bom que os filhos de Deus têm a chance de recomeçar, seguros nas mãos do Senhor Jesus. Como é bom saber que o versículo a seguir também vale para nós: “Lavrem seus campos não arados e não semeiem entre espinhos” (Jeremias 4.3).

Assim, enquanto olhamos para trás e lembrarmos da nossa caminhada, depositamos nossos bons propósitos com plena confiança na mão de Deus. Montamos cuidadosamente nossas ideias e planos como se fossem blocos de construção coloridos. “Senhor, conceda êxito!” De alguma maneira, pretendemos evitar erros antigos, já que – como imaginamos – aprendemos as lições do passado!

A dúvida, porém, é saber qual dos blocos colocamos primeiro em nossa “torre”. Qual deles terá prioridade? Leitura bíblica? Oração e hora devocional? Dedicação ao trabalho da igreja? Casamento e educação dos filhos? Trabalho e subsistência? Saúde? Férias? Aquisições?

Enquanto cada pessoa constrói sua torre, observamos que, sem muita demora, esta começa a balançar consideravelmente. Resignada, a pessoa fica zangada consigo mesma e sente que rapidamente cansou em sua luta na fé. Assim, seguem-se os dias, passam-se os anos.

O que, no entanto, você poderá apresentar ao seu Senhor como o resultado da sua vida? Você está animado com essa ideia? Ou ela o desanima e leva ao desespero? Você alguma vez já se deu conta de que o Deus vivo está observando os rastros da sua vida justamente nesses momentos? Lembre-se que Deus não fica indiferente com o que se passa em seu coração.

Deus tem interesse em que você supere o seu desânimo. O Senhor Jesus anseia em ter comunhão renovada com você! Ele, o Bom Pastor, vai à sua procura porque Ele lhe ama infinitamente! Portanto, descuide-se passando despercebidamente pelos braços estendidos do Salvador!

Você não tem motivos para “entregar os pontos”. Não há lugar para resignação em seu coração. Por mais nebulosos que sejam seus caminhos e seus problemas pareçam insolúveis – imaginando que tudo conspira contra você: você não está abandonado! Você não está andando desprotegido na selva dessa época. Pelo contrário: “Porque a seus anjos ele [Deus] dará ordens a seu respeito, para que o protejam em todos os seus caminhos” (Salmo 91.11). Você acha que o Senhor Jesus Se descuidaria de você, mesmo por um só segundo?

As derrotas de tempos passados não são pedras para pavimentar o seu novo caminho! O caminho que está diante de você não é uma acidentada trilha de obstáculos. Pelo contrário, os filhos de Deus podem contar com caminhos planos, pois ELE o disse! Por isso, conte com a intervenção de Deus. Você não foi esquecido nem abandonado, por isso, não fique arrasado no chão. Levante-se, o Seu Salvador lhe chama!

Demonstre ânimo na fé! O Senhor Jesus lhe desafia a depositar toda sua confiança Nele. Ele quer comprovar novamente o Seu amor por você. Isso lhe protegerá contra resignação e falsas expectativas diante das pessoas.

Os filhos de Deus podem contar com caminhos planos, pois ELE o disse!

Também a autocompaixão é uma arma perigosa usada por Satanás. Você poderá receber misericórdia e íntima compaixão somente do Senhor Jesus. Ele nunca lhe decepcionará. Por isso, amarre-se firmemente ao coração Dele. Olhe para o futuro com alegria e com uma forte confiança em Deus. Se vier acontecer que seu pé vacile e a dor devido à sua falha lhe arrojar ao solo, saiba que o Bom Pastor o procurará tanto até que você seja encontrado. Você é amado, dirigido e mantido por Ele. Que tremenda declaração de amor de Deus para você. Essa certeza deveria fazer com que a sua alegria no Senhor se torne muito grande, pois a sua alegria no Senhor também é a sua força.

Agora, pois, siga em frente tranquilo e alegre, no Nome de Jesus. Você está abrigado na onipotência do seu Bom Pastor! — Manfred Paul

Alan Dias
O conhecimento infinito de Deus


Deus é onisciente. Ele sabe todas as coisas — todas as coisas possíveis, todas as coisas reais, todos os eventos, conhece todas as criaturas, todo o passado, presente e futuro.

Conhece perfeitamente todos os pormenores da vida de todos os seres que há no céu, na terra e no inferno.Nada escapa à Sua atenção, nada pode ser escondido dEle, não há nada que Ele esqueça! Bem podemos dizer com o salmista: ‘Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir’ (Salmo 139:6). Seu conhecimento é perfeito. Ele jamais erra, nem muda, nem passa por alto coisa alguma. ‘E não há criatura alguma encoberta diante dele: antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar’ (Hebreus 4:13). Sim, tal é o Deus a quem temos de prestar contas!

‘Tu conheces o meu assentar e o meu levantar: de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces’ (Salmo 139:2-4), Que maravilhoso Ser é o Deus das Escrituras! Cada um dos Seus gloriosos atributos deveria torná-lo honorável à nossa apreciação. A compreensão da Sua onisciência deveria inclinar-nos diante dEle em adoração. Contudo, quão pouco meditamos nesta perfeição divina! Será por que o só pensar nela nos enche de inquietação?

Quão solene é este fato: nada se pode esconder de Deus! : ‘… quanto às cousas que vos sobem ao espírito, eu as conheço’ (Ezequiel 11:5). Embora sendo Ele invisível para nós, não o somos para Ele. Nem as trevas da noite, nem as mais espessas cortinas, nem o calabouço mais profundo podem ocultar o pecador dos olhos do Onisciente. As árvores do jardim não puderam ocultar os nossos primeiros pais. Nenhum olho humano viu Caim assassinar seu irmão, mas o seu Criador testemunhou o crime. Sara pôde rir zombeteira, oculta em sua tenda, mas foi ouvida por Jeová. Acã roubou uma cunha de ouro e a escondeu cuidadosamente no solo, mas Deus a trouxe à luz. Davi escondeu a sua iniqüidade a duras penas, mas pouco depois o Deus que tudo vê enviou-lhe um dos Seus servos para dizer-lhe: ‘Tu és o homem!’ E tanto ao escritor como ao leitor se diz: ‘… sabei que o vosso pecado vos há de achar’ (Números 32:23).

Os homens despojariam a Deidade da Sua onisciência, se pudessem — prova de que ‘… a inclinação da carne é inimizade contra Deus… ‘ (Romanos 8:7). Os ímpios odeiam esta perfeição divina com a mesma naturalidade com que são compelidos a reconhecê-la. Gostariam que não houvesse nenhuma Testemunha dos seus pecados, nenhum Examinador dos seus corações, nenhum Juiz dos seus feitos. Procuram banir tal Deus dos seus pensamentos: ‘E não dizem no seu coração que eu me lembro de toda a sua maldade…’ (Oséias 7:2). Como é solene o Salmo 90:8! Boa razão tem todo o que rejeita a Cristo para tremer diante destas palavras: ‘Diante de ti puseste as nossas iniqüidades: os nossos pecados ocultos à luz do teu rosto’.

Mas a onisciência de Deus é uma verdade cheia de consolação para o crente. Em tempos de aflição, ele diz com Jó: ‘Mas ele sabe o meu caminho…’ (23:10). Pode ser profundamente misterioso para mim, inteiramente incompreensível para os meus amigos, mas ‘Ele sabe’! Em tempos de fadiga e fraqueza, os crentes podem assegurar-se de que Deus ‘ … conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó’ (Salmo 103:14). Em tempos de dúvida e vacilação, eles apelam para este atributo, dizendo: ‘Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se ha em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno’ (Salmo 139:23-24). Em tempos de triste fracasso, quando os nossos corações foram traídos por nossos atos; quando os nossos feitos repudiaram a nossa devoção, e nos é feita a penetrante pergunta, ‘Amas-me?’, dizemos, como o fez Pedro: ‘… Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo…’ (João 21:17).

Aí temos estímulo para orar. Não há motivo para temer que as petições do justo não serão ouvidas, ou que os seus suspiros e lágrimas não serão notados por Deus, visto que Ele conhece os pensamentos e as intenções do coração. Não há perigo de que um santo seja passado por alto no meio da multidão de suplicantes que todo dia e toda hora apresentam as suas variadas petições, pois a Mente infinita é capaz de prestar a mesma atenção a multidões como se apenas um indivíduo estivesse procurando obter a Sua atenção. Assim também a falta de linguagem apropriada, a incapacidade de dar expressão ao anseio mais profundo da nossa alma, não comprometerá as nossas orações, pois, ‘… será que antes que clamem, eu responderei: estando eles ainda falando, eu os ouvirei’ (Isaías 65:24).

‘Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento é infinito’ (Salmo 147:5). Deus não somente sabe tudo que aconteceu no passado em todos os rincões dos Seus vastos domínios, e não apenas conhece por completo tudo o que agora está ocorrendo no universo inteiro, mas também é perfeito conhecedor de todos os acontecimentos, do menor ao maior deles, que haverão de suceder nas eras vindouras. O conhecimento que Deus tem do futuro é tão completo como o Seu conhecimento do passado e do presente, e isso porque o futuro depende totalmente dEle próprio. Se fosse possível ocorrer alguma coisa sem a ação direta de Deus ou sem a Sua permissão, então aquilo seria independente dEle, e Ele deixaria, de pronto, de ser Supremo.

Ora, o conhecimento divino do futuro não é mera abstração, mas é algo inteiramente ligado ao Seu propósito, o qual o acompanha. Deus mesmo planejou tudo que há de ser, e o que Ele planejou terá que ser efetuado. Como a Sua Palavra infalível afirma, ‘… segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra: não há quem possa estorvar a sua mão e lhe diga: Que fazes?’ (Daniel 4:35). E de novo: ‘Muitos propósitos há no coração do homem, mas o conselho do Senhor permanecerá’ (Provérbios 19:21). Como a sabedoria e o poder de Deus são igualmente infinitos, tudo que Deus projetou está absolutamente garantido. (Que os conselhos divinos deixem de cumprir-se, é tão impossível como seria para Deus, três vezes santo, mentir.

Quanto à realização dos conselhos de Deus relativos ao futuro, nada é incerto. Nenhum dos Seus decretos é deixado na dependência das criaturas, nem das causas secundárias. Não há evento futuro que seja apenas uma possibilidade, isto é, coisa que pode ou não vir a acontecer. ‘Conhecidas por Deus são todas as suas obras desde a eternidade’ (Atos 15:18). O que quer que Deus tenha decretado é inexoravelmente certo, pois nEle ‘… não há mudança nem sombra de variação’ (Tiago 1:17). Portanto, ‘logo no início do livro que nos desvenda tantas coisas do futuro, são nos ditas ‘… as coisas que brevemente devem acontecer…’ (Apocalipse 1:1).

O perfeito conhecimento de Deus é exemplificado e ilustrado em todas as profecias registradas em Sua Palavra. No Velho Testamento acham-se vintenas de predições concernentes à história de Israel, as quais se cumpriram até o mínimo pormenor, séculos depois de terem sido feitas. Há também vintenas doutras mais, predizendo a carreira de Cristo na terra, e também se cumpriram literal e perfeitamente. Tais profecias só poderiam ter sido dadas por Alguém que conhecesse o fim desde o princípio, e cujo conhecimento repousasse na incondicional certeza da realização de tudo quanto fosse predito. De modo semelhante, o Velho e o Novo Testamento contêm muitos outros anúncios ainda futuros, e estes também ‘tem que cumprir-se’ (Lucas 24:44, na versão usada pelo autor), tem que cumprir-se porque preditos por Aquele que os decretou.

Contudo, deve-se assinalar que, nem o conhecimento de Deus, nem a Sua cognição do futuro, considerados simplesmente em si mesmos, são causativos. Nada jamais aconteceu, nem acontecerá, apenas porque Deus o sabia. A causa de todas as coisas é a vontade de Deus. O homem que realmente crê nas Escrituras sabe de antemão que as estações do ano continuarão a seguir-se sucessivamente com infalível regularidade até o fim da história da terra (Gênesis 8:22); todavia, não é o seu conhecimento a causa da referida sucessão de eventos. Assim, o conhecimento de Deus não nasce das coisas porque elas existem ou existirão, mas porque Ele ordenou que existissem. Deus sabia da crucificação do Seu Filho e a predisse muitas centenas de anos antes que Ele Se encarnasse, e isto, porque, segundo o propósito divino, Ele era um Cordeiro morto desde a fundação do mundo. Portanto, lemos que Ele ‘…foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus…’ (Atos 2:23).

Uma ou duas palavras, à guisa de aplicação. O conhecimento infinito de Deus deveria encher-nos de assombro. Quão exaltado é o Senhor, acima do mais sábio dos homens! Nenhum de nós sabe o que o dia nos trará, mas todo o futuro está aberto ao Seu olhar onisciente. O conhecimento infinito de Deus deveria encher-nos de santa reverência. Nada do que fazemos, dizemos ou mesmo pensamos, escapa à percepção dAquele a quem teremos que prestar contas: ‘Os olhos do Senhor estão em todo o lugar, contemplando os maus e os bons’ (Provérbios 15:3). Que freio seria para nós, se meditássemos nisso mais freqüentemente! Em vez de agir descuidadamente, diríamos com Hagar: ‘Tu, ó Deus, me vês’ (Gênesis 16:13) — segundo a versão utilizada pelo autor, A capacidade de compreensão que o conhecimento infinito de Deus tem deveria encher o cristão de adoração. Minha vida inteira esteve aberta ante os Seus olhos desde o princípio! Ele previu todas as minhas quedas, todos os meus pecados, todas as minhas reincidências; todavia, fixou em mim o Seu coração. Como a percepção disto deveria fazer-me prostrar em admiração e adoração diante dEle!

Autor: Arthur W.Pink
Extraído do Livro: Atributos de Deus

Alan Dias
A batalha do Cristão pela Fé

Batalhar diligentemente por algo não é uma atividade de menor importância. A passagem paralela normal desse versículo é 1 Timóteo 6.12: “Combate o bom combate da fé…” Em ambos os casos, o sentido é de trabalhar fervorosamente, ou esforçar-se, como um atleta que irá participar de um evento esportivo.

A analogia do esporte oferece uma ilustração muito clara: bons atletas têm que treinar com vigor para atender às exigências do seu esporte. Da mesma forma, um cristão dedicado deve condicionar-se espiritualmente para atender à exortação de Paulo: “Exercita-te pessoalmente na piedade” (1 Tm 4.7). Paulo usou frequentemente a correlação entre os esforços dos atletas e o andar dos cristãos para mostrar que a vida de um crente renascido não tem por objetivo a passividade. Ela requer treinamento espiritual, que inclui muitas das qualidades demonstradas por um atleta superior: diligência, dedicação, auto-disciplina, disposição de aprender, etc. Entretanto, do mesmo modo como no cenário esportivo dos nossos dias, muitos de nós se dedicam a ser espectadores – não necessariamente “inativos”, mas definitivamente não jogadores.

Bons atletas têm que treinar com vigor para atender às exigências do seu esporte. Da mesma forma, um cristão dedicado deve condicionar-se espiritualmente para atender à exortação de Paulo: “Exercita-te pessoalmente na piedade”.

Muito freqüentemente a reação à exortação de Judas é dizer que é melhor “deixar o batalhar pela fé para os especialistas”, isto é, para os estudiosos, os teólogos, os apologistas ou autoridades em seitas. Há no mínimo dois problemas com tal idéia. Em primeiro lugar, as palavras de Judas não foram escritas a especialistas em teologia, mas “aos chamados, amados em Deus Pai, e guardados em Jesus Cristo” – ou seja, a todos os Seus “santos” (Jd 1,3). Em segundo lugar, um dos principais aspectos da batalha pela fé está relacionada com o desenvolvimento espiritual de todo santo. Em outras palavras, batalhar pela fé não é somente para especialistas em seitas, nem envolve necessariamente argumentar ou confrontar os outros. Batalhar pela fé deveria ser o padrão de vida espiritual de todo crente (comp. 1 Pe 3.15).

O desejo de estudar diligentemente a Palavra de Deus

Batalhar diligentemente pela fé requer o desejo de estudar diligentemente a Palavra de Deus. Jesus estabeleceu um programa de crescimento para todos que se entregaram a Ele: “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos” (Jo 8.31). Em 2 Timóteo 2.15, Paulo acentua o exercício prático, diário, de todo crente: “Procura apresentar-te a Deus, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” O coração do cristianismo é um relacionamento pessoal com Jesus Cristo. Estudar e aplicar as Escrituras é a forma principal de desenvolver nosso relacionamento pessoal com Ele; trata-se de conhecê-lO através da revelação dEle mesmo.

A necessidade de conhecimento

Se buscares a sabedoria como a prata, e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus.

Batalhar diligentemente pela fé exige conhecimento. Não precisamos nos tornar especialistas antes de compartilhar a “fé que uma vez por todas foi entregue aos santos”, mas devemos ser diligentes em nossa busca do conhecimento do Senhor. Se bem que se tente fazê-lo muitas vezes, é completamente insensato tentar batalhar por algo sobre o que não se está informado. Salomão escreveu: “Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos, para fazeres atento à sabedoria o teu ouvido, e para inclinares o teu coração ao entendimento, e se clamares por inteligência, e por entendimento alçares a tua voz, se buscares a sabedoria como a prata, e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o temor do Senhor, e acharás o conhecimento de Deus. Porque o Senhor dá a sabedoria, da sua boca vem a inteligência e o entendimento. Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos, e escudo para os que caminham na sinceridade, guarda as veredas do juízo e conserva o caminho dos seus santos” (Pv 2.1-8).

A prática diligente do discernimento

Batalhar pela fé requer a prática diligente do discernimento. Em Hebreus 5.13-14 está dito: “Ora, todo aquele que se alimenta de leite, é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.” O “leite” e o “alimento sólido” desses versículos são metáforas que se referem ao crescimento espiritual; limitar-nos a uma dieta e a atitudes de crianças espirituais inibe nosso desenvolvimento espiritual. Entretanto, os que exercitam suas faculdades pelo estudo da Palavra de Deus crescerão em discernimento, não continuando “meninos, agitados de um lado para outro, e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4.14).

A disposição de aceitar correção

Batalhar diligentemente pela fé exige que tenhamos a disposição de aceitar correção. Corrigir, entretanto, não é um procedimento “psicologicamente correto” em nossos dias, tanto no mundo quanto na Igreja. A correção é considerada uma ameaça à auto-imagem positiva por muitos que promovem a teologia humanista da auto-estima. É incrível como tal mentalidade mundana influenciou fortemente aqueles que deveriam ser separados do mundo e cujos pensamentos deveriam refletir a mente de Cristo. Mesmo uma pesquisa superficial da Bíblia revela exemplos e mais exemplos de correção, que atualmente seriam vistos como potencialmente destrutivos do bem-estar psicológico das pessoas! Será que a “auto-estima” de Pedro foi psicologicamente danificada e tanto sua auto-imagem como a imagem do seu ministério foram irreparavelmente prejudicadas pela correção pública de Paulo? Foi o ministério de Pedro considerado acabado pela maioria da igreja primitiva porque Paulo não foi suficientemente sensível (ou, bíblico – deixando supostamente de considerar Mateus 18) para ter um encontro particular com Pedro? Não é essa a maneira como muitos na Igreja vêem as coisas atualmente? E o que dizer do trauma sentido pelo ego dos publicamente corrigidos: Barnabé (Gl 2.13), Alexandre (2 Tm 4.14-15), Figelo e Hermógenes (2 Tm 1.15), Himeneu e Fileto (2 Tm 2.17-18), Demas (2 Tm 4.10), Diótrefes (3 Jo 9-10) e outros?

A admoestação “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé” não pede uma avaliação pública; ela requer que analisemos a nós mesmos e então façamos o que for necessário para colocar as coisas em ordem diante do Senhor.

A correção é essencial para a vida de todo cristão. Em sua segunda carta a Timóteo, Paulo orientou seu jovem discípulo a respeito do valor das Escrituras para a correção (como também para a repreensão!), “a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3.16-17). A correção tem que começar em casa, isto é, deve haver a disposição não somente de sermos corrigidos por outros, mas também o desejo de corrigirmos a nós mesmos. A admoestação “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé” (2 Co 13.5) não pede uma avaliação pública; ela requer que analisemos a nós mesmos e então façamos o que for necessário para colocar as coisas em ordem diante do Senhor. Sem a disposição de considerar a possibilidade de uma “trave” em nosso próprio olho, a hipocrisia dominará em qualquer correção a outra pessoa.

Obediência às normas

Batalhar diligentemente pela fé requer obediência às normas. Enquanto alguns evitam praticar a correção segundo as Escrituras, outros a usam como um grande porrete, dando com ele em qualquer um que parecer não concordar com seus pontos de vista. As Escrituras nos dizem que (no contexto dos galardões celestiais) aqueles que competem por um prêmio serão desqualificados a não ser que sua conduta siga as normas do evento (2 Tm 2.5). Isso também deveria ser aplicado ao modo como batalhamos pela fé, especialmente no que se refere à correção mútua. A primeira e mais importante norma é o amor. Correção bíblica é um ato de amor, ponto final. Se alguém não tem em mente o interesse maior de uma pessoa, o amor não está envolvido. Se o amor não é o fator motivador da correção, o modo de agir não é bíblico.

A maneira como nos corrigimos mutuamente é uma parte importante das “normas” da batalha pela fé: “Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e, sim, deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente; disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade” (2 Tm 2.24-25). Entretanto, uma repreensão severa também pode ser bíblica; nas Escrituras há abundância de tais reprovações e repreensões quando a situação as exigia. Mas elas nada têm em comum com correção acompanhada de sarcasmo, humilhação, ataques ao caráter pessoal ou qualquer outra coisa que exalte quem corrige ao invés de ministrar àquele que está sendo corrigido. É irônico que o humor dominante (TV, quadrinhos, etc.) dessa geração profundamente consciente da “auto-estima”, ego-sensível, seja o sarcasmo, especialmente a humilhação. Fazer alguém se sentir inferior tornou-se a maneira preferida de elevar a própria auto-estima.

Um teste simples de correção bíblica é o nível de presunção por parte de quem a pratica. Se houver qualquer indício dela – ele falhará. Outro teste rápido é o termômetro das “maneiras desagradáveis”. Se aquele que corrige trata os outros com maneiras que ele mesmo não aceitaria – ele é parte do problema, não a solução bíblica.

Conhecer pelo que se batalha

Batalhar diligentemente pela fé envolve conhecer pelo que se batalha. Aquilo que envolve a subversão do Evangelho, especialmente das doutrinas principais relacionadas com a salvação, exige nossa séria preocupação e atenção. O livro de Gálatas é um bom exemplo. Os judaizantes estavam coagindo os crentes a aceitar um falso evangelho, isto é, adicionando certas obras da lei como necessárias para a salvação. Paulo os repreendeu duramente, como também instruiu Tito a fazê-lo (Tt 1.10-11,13). No mesmo espírito, argumentamos com os que promovem ou aceitam um falso evangelho para a salvação (mórmons, adeptos da Ciência Cristã, Testemunhas de Jeová e católicos romanos, entre outros).

Enquanto certas questões podem parecer não estar relacionadas com o Evangelho, elas podem subverter indiretamente a Palavra de Deus, afastando os crentes da verdade e inibindo dessa forma a graça necessária para uma vida agradável ao Senhor. A psicoterapia, por exemplo, é um dos veículos mais populares para levar os cristãos a buscar as soluções ímpias dos homens (e, portanto, destituídas da graça).

Saber quando evitar confrontos

Batalhar pela fé também requer que saibamos quando evitar confrontos. O capítulo 14 de Romanos trata de assuntos em que a argumentação se transforma em contenda. Paulo fala de situações em que crentes imaturos criavam polêmicas em torno de coisas que não tinham importância. Alguns estavam provocando divisões por discutirem quais alimentos podiam ser comidos ou não, ou quais dias deviam ser guardados ou não. Natesses casos, o conselho da Escritura é: há certas coisas que não devemos julgar, pois se trata de questões sem importância, que não negam a fé, e são assuntos a serem decididos pela própria consciência (v. 5). Somente o Senhor pode julgar o coração e a mente de alguém no que se refere a tais assuntos.

Quando Jesus discutiu os sinais dos últimos tempos com Seus discípulos no Monte das Oliveiras (Mt 24), o primeiro sinal que Ele citou foi o engano religioso. Sua extensão atual não tem precedentes na História. Somente esse fato deveria tornar nosso interesse em batalhar diligentemente pela fé uma das maiores preocupações. Isso também significa que há tantos desvios da fé (1 Tm 4.1) a serem considerados, que poderá ser necessário estabelecer prioridades pelo que e quando vamos batalhar. No que se refere ao nosso próprio andar com o Senhor, devemos examinar qualquer coisa em desacordo com as Escrituras, fazendo as necessárias correções. Entretanto, quando se trata de ensinos e práticas biblicamente questionáveis, sendo aceitas e promovidas por outros, o discernimento pode também incluir a necessidade de decidir quando e como tratar deles. Atualmente, não é incomum ser erradamente considerado (ou, de fato, merecer a reputação) como alguém que “acha erros em tudo”; de modo que a busca da sabedoria e orientação do Senhor é sempre essencial para que nosso batalhar seja recebido de forma frutífera.

Não devemos coagir ninguém

Finalmente, batalhar diligentemente pela fé não é coagir. Muito freqüentemente esquecemos que recebemos nossa vida eterna em Cristo como dádiva gratuita, uma dádiva do insondável amor de Deus que deve ser oferecida aos outros em amor. O amor é destruído pela coação. Se bem que nossa intenção pode não ser impor questões de fé aos outros, é importante verificar regularmente nossos motivos e métodos. O batalhar diligentemente pela fé deve ser realizado como uma oferta de amor. Temos que lembrar que somos meramente canais de tal amor e que, se quisermos que ocorra alguma mudança no coração, ela será realizada através da graça de Deus, a única que garante o arrependimento (2 Tm 2.25-26).

Atos 20.27-31 contém alguns pensamentos que atualmente muitos iriam considerar como desproporcionais na batalha por “todo o desígnio de Deus”. Mas, trata-se das palavras de Deus, comunicadas apaixonadamente pelo apóstolo Paulo aos membros da igreja de Éfeso e a nós: “Atendei por vós e por todo o rebanho… Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando cousas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um.”

Nestes “difíceis” tempos finais (2 Tm 3.1), ore para que todos nós, como Paulo, demonstremos apaixonada preocupação pelo bem-estar espiritual dos nossos irmãos e irmãs em Cristo e pela pureza do Evangelho essencial para a salvação das almas (T. A. McMahon)

Fonte: www.chamada.com.br

Alan Dias